Colocando o site no ar
Como escrever a página inicial do seu site
A maioria das páginas iniciais fala da empresa. As que funcionam falam do problema de quem chegou. Esta é a estrutura que eu uso.
Por Saimon Passaura · · 9 min de leitura
A primeira tela do seu site tem cerca de cinco segundos para responder uma pergunta muito simples que a pessoa nem formula conscientemente: é aqui que eu resolvo o meu problema?
A maioria das páginas iniciais responde outra coisa. Fala da empresa, da história, da missão, dos valores. Tudo isso importa — mas nenhuma dessas informações é o que faz alguém ficar.
O teste das cinco palavras
Antes de escrever qualquer coisa, faça este teste no site que você já tem. Abra a página inicial e olhe só o que aparece sem rolar. Agora responda:
Em até cinco palavras, o que esta empresa faz e para quem?
Se você precisa rolar para responder, ou se a resposta é "soluções integradas para o seu negócio", a primeira tela está gastando espaço nobre com nada. Frases assim descrevem qualquer empresa de qualquer setor, o que é o mesmo que não descrever nenhuma.
O contraste fica claro quando você compara:
| Não diz nada | Diz |
|---|---|
| Soluções completas para o seu negócio | Postes de concreto e estruturas para usinas solares |
| Excelência e comprometimento desde 1997 | Máquinas para frigoríficos e avicultura, exportando desde 1997 |
| Transformando ideias em realidade | Sites para empresas que precisam ser levadas a sério |
Repare que a coluna da direita não é mais criativa. Ela é mais específica. Especificidade é o que separa uma frase que vende de uma frase que enfeita.
Os sete blocos, em ordem
Esta é a estrutura que eu uso na maioria dos projetos. A ordem não é estética: é a ordem em que as objeções aparecem na cabeça de quem está decidindo.
- A promessa — o que você faz, para quem, e o convite.
- O problema — a situação que a pessoa está vivendo, dita nas palavras dela.
- O que está incluso — o que ela recebe, em itens concretos.
- A prova — trabalhos feitos, números, clientes, depoimentos.
- Como funciona — as etapas, para tirar o medo do desconhecido.
- As objeções — as perguntas frequentes, respondidas sem rodeio.
- O pedido — uma ação clara, sem alternativa competindo.
Bloco 1: a promessa
Três elementos e nada mais: um título que diz o que você faz, uma linha de apoio que qualifica para quem, e um botão. Se couber uma imagem que mostre o trabalho de verdade, melhor ainda.
O erro clássico aqui é colocar o nome da empresa em letra gigante. O nome da empresa não é uma promessa — a menos que você seja uma marca que a pessoa já conhece, e nesse caso ela não precisaria da página inicial para nada.
Regra prática
Se você trocasse o seu logo pelo do concorrente e a frase continuasse verdadeira, ela não é uma promessa. É um enfeite.
Blocos 2 a 6: a construção da confiança
Bloco 2: o problema
Descreva a situação que a pessoa está vivendo antes de falar do que você vende. Quando alguém lê a própria dor descrita com precisão, presume que você conhece a solução. É o efeito mais barato e mais subutilizado que existe em texto de site.
Bloco 3: o que está incluso
Itens, não adjetivos. "Layout responsivo, botão de WhatsApp, formulário de contato, SEO básico, publicação" comunica mais que "soluções digitais completas". Quem está decidindo quer saber o que vai receber.
Bloco 4: a prova
Aqui entram trabalhos feitos, números reais e nomes de clientes. Prova genérica não prova nada: "mais de 500 clientes satisfeitos" é uma afirmação sobre a qual ninguém pode verificar coisa alguma. Um projeto com nome, foto e o que foi feito é verificável — e por isso convence.
Bloco 5: como funciona
Três a cinco etapas. A função desse bloco é dissolver a ansiedade de quem nunca contratou esse serviço e não sabe o que vai acontecer depois que clicar. É especialmente importante em serviços caros ou pouco familiares.
Bloco 6: as objeções
A seção de perguntas frequentes não existe para preencher página. Ela existe para responder, por escrito, as três ou quatro coisas que fazem a pessoa hesitar. Se você atende no WhatsApp, você já sabe quais são: são as perguntas que você responde toda semana.
De onde tirar o texto de graça
Abra as suas últimas vinte conversas de WhatsApp com clientes. As perguntas que se repetem são o bloco 6. As palavras que eles usam para descrever o problema são o bloco 2. Está tudo escrito, só não está no site.
Bloco 7: o pedido
Uma ação principal. Uma. Se a página oferece "peça orçamento", "assine a newsletter", "baixe o catálogo" e "siga no Instagram" com o mesmo peso visual, ela não pediu nada — ofereceu um menu, e menu se adia.
O texto do botão também importa: diga o que vai acontecer. "Enviar" não diz nada; "Pedir orçamento no WhatsApp" diz para onde a pessoa vai e o que acontece lá. Sobre como fazer isso funcionar de verdade, escrevi WhatsApp no site: como colocar do jeito certo.
A estrutura na prática
A página do Do Zero a Anúncios no Ar segue exatamente essa ordem: vídeo de abertura, módulos, prova social, oferta, garantia e perguntas frequentes. Cada objeção é respondida no momento em que ela aparece — e não no fim, quando a pessoa já foi embora.
Quatro frases para apagar hoje
Se alguma delas está no seu site, ela está ocupando espaço sem pagar aluguel:
- "Bem-vindo ao nosso site." A pessoa sabe que chegou. Você acabou de gastar a linha mais lida da página com uma informação que ela já tinha.
- "Somos uma empresa que preza pela qualidade." Todas prezam. Nenhuma anuncia o contrário.
- "Nossa missão é..." na primeira tela. Missão é conteúdo da página Sobre, para quem já se interessou.
- "Entre em contato conosco" como único botão. Diga para onde e para quê: "Pedir orçamento no WhatsApp".
E um lembrete que vale mais que qualquer técnica de escrita: o mesmo conteúdo principal precisa existir no celular. Não uma versão resumida — o mesmo conteúdo. É de lá que vem a maior parte das visitas, e é a versão que o Google usa como referência para indexar.
Com o texto pronto, o passo seguinte é fazer o Google entender do que a página trata: checklist de SEO para site de empresa pequena.
Quer que eu escreva junto com você?
Na maioria dos projetos, o texto sai de uma conversa: eu pergunto, você responde do jeito que fala, e eu transformo em página. Não precisa chegar com nada pronto.