Aparecer no Google
Checklist de SEO para site de empresa pequena
Não é sobre repetir palavra-chave. É uma sequência: o Google consegue acessar, consegue entender, e decide se vale mostrar. Nessa ordem.
Por Saimon Passaura · · 11 min de leitura
SEO virou sinônimo de "repetir palavra-chave" na cabeça de muita gente. Não é isso, e nunca foi. É uma sequência de condições, e a ordem delas importa mais que a lista em si.
A ordem importa mais que a lista
O caminho até aparecer no Google tem quatro portas, e cada uma só abre depois da anterior:
- O Google consegue acessar a página?
- A página pode ser indexada?
- O Google entende do que ela trata?
- A página merece aparecer acima das outras?
Isso explica por que tanta gente contrata "consultoria de palavras-chave" e não vê resultado: estão trabalhando na porta 4 com a porta 1 fechada. Um site tecnicamente perfeito com conteúdo raso não sobe. Um conteúdo excelente numa página que o Google não consegue acessar nem existe.
Camada 1: o Google consegue acessar?
Aqui moram os erros que sozinhos impedem qualquer resultado. São poucos e são fáceis de conferir.
-
O
robots.txtnão bloqueia o site. Abraseusite.com.br/robots.txt. Se você virDisallow: /logo abaixo deUser-agent: *, o site inteiro está fechado para rastreamento. Acontece muito quando o site sai de um ambiente de testes e ninguém troca o arquivo. - As páginas respondem HTTP 200. Nada de 404, 403 ou 500 em página que deveria existir.
- O site está em HTTPS, com o cadeado funcionando.
-
Existe um endereço só para cada página. Com e
sem
www, com e semhttps, devem todos terminar no mesmo lugar por redirecionamento 301. - O conteúdo não exige login nem clique para aparecer.
Um detalhe que confunde muita gente
robots.txt não serve para tirar
uma página do Google. Ele impede o rastreamento, não a
indexação — a página pode continuar aparecendo, só que
sem descrição. Para remover de verdade, use
noindex, e a página precisa continuar rastreável
para o Google conseguir ler esse noindex.
Camada 2: a página pode ser indexada?
-
Não existe
noindexonde não deveria. Procure por<meta name="robots" content="noindex">no código das páginas importantes. É o segundo erro mais comum depois de um site sair do ar de testes. - Cada página tem canonical apontando para si mesma. O desastre clássico é um canonical automático mandando todas as páginas para a home: você está dizendo ao Google que tudo no site é cópia da página inicial.
-
Existe um
sitemap.xmlcom as URLs que devem aparecer — só as que respondem 200, são canônicas e não têmnoindex. -
O sitemap está declarado no
robots.txte enviado no Search Console. - Toda página tem pelo menos um link interno apontando para ela. Página que só existe no sitemap é página órfã, e o Google trata como pouco importante.
Sobre o campo lastmod do sitemap
O Google ignora priority e changefreq.
O lastmod ele usa — desde que seja honesto.
Atualize a data quando a página mudou de verdade. Mexer no ano
do rodapé não é alteração de conteúdo, e um sitemap que diz que
tudo mudou hoje, todo dia, simplesmente para de ser levado a
sério.
Camada 3: o Google entende do que se trata?
-
Cada página tem um
<title>único e específico. "Início", "Página 2" e o nome da empresa repetido em todas não ajudam ninguém. O título é o texto azul que aparece no resultado da busca: escreva pensando em quem vai clicar. - Cada página tem uma meta description própria. Ela não faz a página subir; ela ajuda a pessoa a escolher clicar na sua. Uma frase específica por página, não a mesma em todas.
-
Existe um
<h1>claro que representa o assunto da página, e ele é coerente com o title. -
Os subtítulos têm hierarquia.
h2para as seções,h3para as subseções. Não use tamanho de fonte no lugar de estrutura. -
Os links internos são
<a href>de verdade. Um<div onclick>que navega por JavaScript não é um link que o Google segue. -
As URLs são simples e permanentes.
/servicos/postes-de-concretoem vez de/index.php?id=42&cat=7. E, uma vez publicada, a URL não muda. -
As imagens têm
altdescritivo ewidth/heightdefinidos. -
Existem dados estruturados onde eles fazem
sentido:
LocalBusinessouOrganizationpara a empresa,BreadcrumbListpara a trilha,ArticleouBlogPostingpara textos. - O conteúdo principal está no HTML. Se o texto só aparece depois que o JavaScript roda, existe o risco real de ele não ser indexado.
Camada 4: merece aparecer?
As três camadas anteriores colocam a sua página na porta do índice. Nenhuma delas obriga o Google a preferi-la. É aqui que a maioria dos sites de empresa pequena para — e é aqui que está a maior oportunidade, porque é a camada que exige trabalho de verdade e por isso quase ninguém faz.
- Uma página por assunto, com profundidade. Se você vende cinco serviços, cinco páginas, cada uma respondendo completamente a uma dúvida. Um parágrafo por serviço numa página só não compete com quem escreveu uma página inteira.
- A página responde à intenção da busca. Quem procura "quanto custa poste de concreto" quer preço, não a história da empresa desde 1997.
- Existe algo seu ali dentro. Fotos do seu trabalho, seus números, sua experiência, seu jeito de explicar. Reescrever os dez primeiros resultados do Google produz o décimo primeiro.
- Está claro quem escreveu e por que essa pessoa entende do assunto.
- A página abre rápido e funciona bem no celular. Faz parte da experiência avaliada, e é onde está a maioria das visitas.
O que NÃO fazer
Coisas que ainda são vendidas como serviço de SEO no Brasil e que hoje ou não funcionam ou fazem mal:
- Encher a página de palavra-chave. Os sistemas do Google entendem variações e sinônimos há muitos anos. Repetição forçada só piora a leitura.
- Texto branco em fundo branco ou qualquer variação de esconder palavras. É violação explícita de política.
- Comprar links. O risco é assimétrico: o ganho é incerto e a punição é real.
- Gerar cem artigos com IA e publicar sem revisão. O problema não é usar IA — é produzir em escala, sem acrescentar valor, com o objetivo de manipular ranking. Isso o Google trata como spam.
- Usar a Indexing API para artigos comuns. Ela existe para vagas de emprego e transmissões de vídeo, não para enviar qualquer página ao Google.
- Trocar "2024" por "2026" no título e chamar de atualização. Mudar data sem mudar conteúdo é justamente o comportamento que a documentação desaconselha.
Como acompanhar depois
Configure o Google Search Console. É gratuito, é a única fonte oficial sobre como o Google enxerga o seu site, e sem ele você está adivinhando.
Uma vez por mês, olhe seis números:
| Indicador | O que ele conta |
|---|---|
| Páginas indexadas | Quantas das suas páginas realmente entraram. |
| Páginas não indexadas | Onde está o problema, com o motivo de cada uma. |
| Impressões | Quantas vezes você apareceu. Cresce antes dos cliques. |
| Cliques | Quantas pessoas entraram. |
| CTR | Muita impressão e pouco clique = título ou descrição fracos. |
| Posição média | Se está subindo, mesmo devagar, o caminho está certo. |
E ajuste a expectativa de tempo: site novo não aparece em uma semana. Indexação leva de dias a semanas; posição relevante para busca disputada leva meses. Quem promete primeira página em trinta dias está vendendo outra coisa.
Se algum item da camada 1 ou 2 estiver falhando, comece por ele — nada do resto importa antes. E se o problema for velocidade, o próximo passo está em por que o seu site está lento.
Quer o básico já feito na entrega?
As camadas 1 a 3 desta lista entram em todo site que eu faço: robots, sitemap, canonical, títulos, dados estruturados e Search Console configurado antes de o site ir ao ar.